Oi, amiguinhos! Here I am, with broken wings e tal, eu demoro mas apareço! Passei para fazer um breve relato da viagem trabalhística e dos demais pontos de interesse em minha vida; sendo assim, provavelmente ficaremos só na parte da viagem mesmo!
Felizmente a viagem surgiu no momento exato em que eu PRECISAVA sair do país, dado o lamentável acontecimento futebolístico sucedido na véspera de minha fuga desesperada para um lugar onde houvesse paz e nenhuma camisa rubro-negra à vista.

E lá fui eu...
Como sempre, tivemos o drama de ter que andar de avião. Inclusivelmente abri mão de minha passagem em classe executiva (???) só pra ir do lado da chefe, que tinha passagem em classe econômica (!?!). Tudo bem, fiz a alegria de alguns desconhecidos, estamos perto do natal, boas ações sempre caem bem. Nos vôos, tudo tranquilo, pequenas turbulências, mãos suadas na decolagem – ainda bem que tinha a chefa, que também tem medo de avião, para me dar a mão -, só o de sempre… devo dizer que a tevezinha com problemas elétricos, que ficava abrindo e fechando sem parar, me deixou levemente preocupada em relação à manutenção da inacreditável máquina voadora, mas fora isso, tudo correu na mais santa paz.
Segundamente, preciso dizer que minha chefe é uma fofa, que foi uma ótima companhia – apesar de aparentemente não dormir, de ser levemente hiperativa e de ter me convencido a fazer yoga às 6 da matina, antes do evento - e que em janeiro, infelizmente, ela deixa de ser minha chefe, o que é bastante lamentável para mim, mas excelente para ela, que vai pra um lugar onde ela sempre sonhou trabalhar. Ela merece.
O que me leva a um comentário de que eu sou mesmo bastante sortuda, dois chefes na vida, duas pessoas maravilhosas. Lucky, lucky eu, né não? A psicóloga diz que eu tenho mania de endeusar essas pessoas, mas ela não sabe de nada, posso até exagerar um pouco, mas eles são demais mesmo, sei reconhecer pessoas realmente especiais. Anyways, eu já até soube, em primeira mão, quem será minha nova chefe… já a conheço, simpatizo levemente, mas desconfio que o ciclo de alegria subordinada está chegando ao fim…
O trabalho que eu fui fazer rolou apenas parcialmente, porque eu deveria dar um treinamento em um sistema que não funcionou no dia do treinamento. Ótemo. Então fiz uma apresentação rápida apenas para não dizer que fui lá pra Guatemala – pois é, a viagem foi pra Guatemala – só para passear. Falei em espanhol e tudo, e incrivelmente não foi tão sofrido quanto eu imaginei que seria.
Os passeios foram poucos mas bons. Mas o que mais me impressionou foi que no dia que chegamos, em plena terça-feira, às 13h, entramos em uma missa e a igreja estava lotada. Um povo muito simples, pobre, alguns com as roupas típicas e coloridas, todos lá, em pleno dia, com sua fé… Sei lá, aquilo mexeu comigo. Mesmo com aquele mesmo ritual meio frio da igreja católica, as mesmas frases (em espanhol, legal!), tudo igual… As pessoas rezando em voz alta (‘te necesito, señor, te necesito…’), as crianças lin-das com suas roupinhas coloridas, todo mundo reunido ali, como tantos se reúnem em todo o mundo, em nome da fé, em busca de amparo… Percebi o quanto ando desamparada, e o quanto essa fé faz falta… Também conversei sobre isso com a querida futura ex chefinha, e ando pensando em realmente dar mais uma chance pra igreja católica e para mim mesma…
No mais, as pessoas por lá comem feijão no café da manhã; são mais bonitas quando crianças que adultas; no aeroporto não olham o certificado de febre amarela, o que foi uma grande sorte, pois eu não tinha tomado a vacina com a antecedência necessária; os vendedores tem uma fala decorada (‘qué procuras? pase adelante. buen precio’), que repetem como um mantra; outro mantra é o ‘así es’, usado como forma de concordar com o que você diz; aparentemente eles têm muitos terremotos por lá, talvez por conta dos vulcões, porque o que mais vimos foram ruínas arruinadas por conta das insistentes sacudidelas terrenas – inclusive teve uma na semana passada, escala richter 4; os ônibus são muito divertidos, coloridos e, grande parte deles, bem velhos; e mesmo os ’ônibus de luxo’ estão muito distantes do que conhecemos… percebi isso na viagem que fizemos para conhecer uma cidade Maia… 9 horas para ir, passeia o dia inteiro, depois mais 9 pra voltar, depois seguir direto para o aeroporto para mais 9 de avião até o Brasil – porque dormir é para os fracos! Para terminar, uma imagem de Tikal, a tal cidade Maia para onde viajamos. Valeu a pena o perrengue:

E não, o povo lá não tá levando a sério essa coisa de que o mundo acaba em 2012.
* * *
Quando voltei e falei com uma companheira trabalhística sobre o treinamento que eu deveria dar e que não houve, a reação dela foi dizer “que sortuda você, hein? foi lá só pra passear!”. Primeiro fiquei meio incomodada, porque realmente não acho que minha participação foi lá muito decisiva, por assim dizer. Mas depois, a mesma companheira que me deixou cismada, completou: “ah, menina, não esquenta não, você merece. Deus não faz essas coisas por acaso”. Así es.