Nada não.

Então, zilênios que não escrevo aqui. Mas a espera valeu a pena, afinal acabo de premiá-los com uma pérola de meu rico vocabulário: zi-lê-nios! Anota aí!

Bom, continuando. Ando deveras trabalhativa, e daí a longa ausência. Aprendendo uma série de coisas sobre convivência, trabalho, pessoas, vida, universo e tudo o mais. Tudo tem sido muito intenso por lá. Especialmente as pauladas. Aprendendo a ouvir e incorporar críticas. Teoricamente eu sempre soube, afinal a maior crítica de minha pessoa sou eu mesma, mas a idéia de ter pessoas o tempo todo me dizendo o que fazer – e o fato de elas terem razão, muito frequentemente – me irrita consideravelmente. Acho que por isso sou um tanto quanto fechada com pessoas, amigos, família e afins… As pessoas dão muito pitaco na vida alheia. Vão se intrometendo com seus narizes abelhudos. Fazendo comentários maldosos disfarçados de piadinhas.  Curiosidade travestida de preocupação. Eu detesto isso.

Ou vai ver que ando muito amarga. Na terapia eu me sinto correndo atrás de meu próprio rabinho, runnin’  in circleeees, sempre acabo voltando para as mesmas questões. Fora aquelas que deviam, mas nunca surgiram. Tem vezes que acho útil, tantas outras inútil, e meu rico dinheirinho continua escorrendo pelo ralo há uns bons… dois anos? Quase três? Caramba! Minha psicanalista – só no título, desconfio que não faça exatamente psicanálise – me disse que não sabe como eu continuo na terapia, sendo tão crítica e exigente com tudo e todos. Às vezes eu penso que é mais uma questão de inércia, que é o princípio mor que rege minha vida.

Mas aí eu venho com esse papo cinza aqui pra você(s) e para a terapeuta, mas no trabalho eu pareço uma palhaça. O dia inteiro rindo e fazendo piadinhas. Me relacionando com pessoas. E gostando, after all. Acho que isso me desgasta, vai contra a minha natureza ermitã. Chego em casa e tudo que eu quero é silêncio. Aí fico aqui, sozinha, deitada na minha cama, parecendo o zangado – pequena mal humorada.

Ando cansada dessa Érica em casa. Cansada do isolamento que eu criei para mim, mas ao mesmo tempo sem vontade de derrubar barreiras tão cuidadosa e solidamente erguidas. Já da Érica no trabalho eu ainda gosto, porque ainda estou me descobrindo, testando limites, errando, acertando, essas coisas. Então sou muitas. Tem também a pessoa que sou com meu namorado, que é outra. Ele é um oasis nesse meu mundo sedento por algum significado. E ele não precisa fazer nada além do que faz. Ele só precisa ser, estar. Ficar com ele me anestesia, me faz simplesmente abstrair as coisas e pessoas chatas da vida. É tão fácil… mas, novamente, esse isolamento em relação ao resto do mundo anda me cansando -  mas não ainda ao ponto de me fazer mudar. Como eu disse, a inércia…

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2 Responses to “Nada não.”

  1. João Baldi Jr. Says:

    É aquela coisa, não dá pra desobedecer as leis de Newton, certo?

    Mas eu acho que sei mais ou menos como isso é, com a diferença de que eu não tenho namorada e meus amigos sempre me rebocam a força, impedindo que seu seja tão ermitão quanto gostaria, deixe a barba crescer até parecer o Sayd de Lost e passe a usar um cajado.

    Como eu sempre digo, devo muito aos meus amigos.

    E obrigado por adicionar zilênios ao nosso vocabulário :)

  2. sheila Says:

    he. que bonito. várias éricas, aprendizados e tudo o mais. me sinto isolada tb, às vezes. parece que só conheço bem o matheus e as pessoas do trabalho. até os batateiros andam sumidos, e não é cupa deles/sua/nossa/minha. sei lá. oh vida!

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